Data storytelling: dados que contam, histórias que convencem

8 min

O data storytelling combina dados, contexto e narrativa para comunicar informações complexas de maneira compreensível e relevante. 

Nas empresas, essa competência ajuda executivos a apresentar resultados, defender projetos e fundamentar decisões com argumentos que conectam indicadores às prioridades do negócio.

Isso é importante porque neste ambiente, relatórios extensos e apresentações repletas de números nem sempre convencem quem precisa decidir. 

Então, para conquistar a atenção de conselhos administrativos, investidores e lideranças, é necessário explicar o significado das informações e demonstrar suas implicações para os objetivos corporativos.

Imagem gerada por IA – ChatGPT/OpenAI

O que é data storytelling?

Data storytelling é a prática de combinar dados, recursos visuais e narrativa para transmitir uma mensagem fundamentada em evidências. 

A proposta consiste em organizar informações para que o público compreenda o que aconteceu, por que determinado resultado importa e quais decisões podem ser consideradas.

Essa competência vai além da apresentação de gráficos. Ela exige interpretação analítica, conhecimento sobre o negócio e capacidade de adaptar a comunicação executiva às expectativas dos interlocutores.

Neste cenário, um executivo pode utilizar o data storytelling para:

  • apresentar resultados trimestrais e explicar variações no desempenho;
  • defender investimentos com indicadores de retorno e projeções;
  • demonstrar oportunidades comerciais a potenciais investidores;
  • justificar mudanças estratégicas perante o conselho administrativo.

Em todas essas situações, os números sustentam a argumentação, enquanto a narrativa conecta os resultados às decisões que precisam ser tomadas.

Quais são os elementos do data storytelling?

O data storytelling depende da integração de três elementos complementares: dados, contexto e narrativa. A ausência de qualquer um deles pode comprometer a interpretação da mensagem.

Dados

Os dados fornecem evidências para sustentar uma afirmação. 

Aqui, indicadores financeiros, pesquisas de mercado, métricas comerciais e informações operacionais ajudam a identificar tendências e avaliar resultados.

A seleção deve priorizar informações confiáveis e pertinentes à decisão em pauta. 

Uma apresentação sobre expansão comercial, por exemplo, pode destacar receita por região, custo de aquisição de clientes e margem de contribuição.

Contexto

O contexto explica as circunstâncias que ajudam a interpretar os números. 

Comparações históricas, metas estabelecidas, referências de mercado e mudanças econômicas permitem avaliar se determinado resultado representa avanço ou exige atenção.

Uma queda de 8% nas vendas, por exemplo, ganha outro significado quando comparada à retração de 15% registrada no setor. 

Ou seja, a informação isolada descreve uma variação; a comparação oferece elementos para interpretar o desempenho.

Narrativa

A narrativa organiza as evidências em uma sequência lógica. 

Ela conecta a situação identificada, suas causas prováveis, suas consequências para a organização e as alternativas disponíveis.

Em uma apresentação sobre custos crescentes, um executivo pode explicar quais despesas pressionaram a margem, apresentar os dados que sustentam essa análise e recomendar medidas para recuperar a rentabilidade.

Imagem gerada por IA – ChatGPT/OpenAI

Como aplicar data storytelling nas apresentações executivas?

Aplicar data storytelling começa pela decisão que a apresentação pretende apoiar. 

Em seguida, o profissional seleciona os indicadores relevantes, organiza os argumentos e define como apresentar as evidências ao público.

Uma sequência útil inclui:

  1. Definir a mensagem central: determinar qual conclusão o público deve compreender.
  2. Selecionar os indicadores: escolher dados que sustentem a argumentação.
  3. Explicar o contexto: relacionar os resultados às metas e prioridades empresariais.
  4. Organizar a narrativa: conectar evidências, interpretações e consequências.
  5. Apresentar uma recomendação: indicar a decisão solicitada ou os próximos passos.

A escolha dos recursos visuais também merece atenção:

  • gráficos de linhas podem demonstrar tendências ao longo do tempo;
  • gráficos de barras facilitam comparações entre categorias; 
  • tabelas ajudam quando o público precisa consultar valores específicos.

Reforçamos que o recurso deve servir à mensagem, e não competir com ela.

Uma apresentação executiva precisa permitir que os interlocutores identifiquem rapidamente as informações relevantes e compreendam os argumentos apresentados.

Por que apresentar números não é suficiente para convencer?

Apresentar números não é suficiente para convencer porque os indicadores, isoladamente, não explicam suas causas, consequências ou implicações para o negócio. 

A tomada de decisão depende da interpretação das evidências e da capacidade de relacioná-las às prioridades organizacionais.

Considere três exemplos:

  • apresentação de resultados: informar que a receita cresceu 12% demonstra um avanço, mas explicar quais produtos contribuíram para o crescimento e se a margem acompanhou essa evolução oferece fundamentos para decisões comerciais;
  • defesa de projetos: apresentar o orçamento solicitado informa o investimento necessário, porém, associar os custos aos benefícios esperados, aos riscos e aos indicadores de retorno ajuda a justificar a proposta;
  • reunião com investidores: divulgar a expansão da carteira de clientes mostra crescimento, entretanto, apresentar também retenção, rentabilidade e perspectivas de receita permite avaliar a qualidade desse avanço.

Como o data storytelling contribui para a comunicação de líderes?

Ele contribui para a comunicação de líderes ao conectar análise, argumentação e capacidade de influenciar decisões. 

Além de interpretar informações, um executivo precisa transmitir suas conclusões com segurança, adaptar a mensagem ao público e responder a questionamentos relevantes.

Em reuniões com o board, por exemplo, a apresentação deve relacionar indicadores às prioridades corporativas. 

Em negociações internacionais, o profissional também precisa considerar diferenças culturais, expectativas dos interlocutores e particularidades da comunicação empresarial em outro idioma.

O desenvolvimento destas competências envolve preparação para apresentações, construção de argumentos e uso estratégico de narrativas. 

Para isso, programas de Comunicação Executiva alinhados às exigências dos negócios internacionais permitem trabalhar essas habilidades em situações corporativas, com atenção ao posicionamento e à influência profissional.

A formação pode contemplar desde a organização de apresentações em inglês até o aprimoramento de narrativas estratégicas para defender projetos e comunicar decisões a públicos de diferentes culturas.

Como desenvolver habilidades de data storytelling?

O desenvolvimento exige prática contínua na interpretação de indicadores e na comunicação de conclusões. 

Um profissional pode começar com a revisão de apresentações anteriores e identificação de informações que poderiam ser relacionadas de maneira mais direta às decisões empresariais.

Algumas ações ajudam nesse processo:

  • substituir gráficos excessivos por evidências diretamente relacionadas à mensagem;
  • ensaiar explicações que conectem indicadores às prioridades da organização;
  • preparar respostas para perguntas sobre premissas, custos e projeções;
  • adaptar vocabulário, exemplos e profundidade técnica ao público;
  • praticar apresentações em português e em outros idiomas, conforme as exigências profissionais.

O desenvolvimento de competências comunicacionais permite trabalhar necessidades específicas de cada executivo, considerando sua função, seus objetivos de carreira e as interações que fazem parte de sua rotina.

Para líderes que atuam globalmente, a combinação entre comunicação internacional, argumentação e storytelling estratégico favorece apresentações mais consistentes em reuniões, negociações e discussões decisórias.

“Fazendo uma analogia com culinária, por exemplo, você precisa saber a base de uma culinária bem feita: um arroz saboroso, um feijão caseiro. É a mesma coisa no mundo corporativo. Dependendo do seu interlocutor, você realmente deve dosar a sua comunicação de acordo com o tipo de momento que você está vivenciando.”

– Fernando Reiff, Head de Executive Communication na Trend School

Para conferir mais dicas do Fernando sobre comunicação de alto impacto no mundo corporativo, dê o play no vídeo abaixo:

Conheça os programas de Comunicação Executiva da Trend School e desenvolva habilidades para apresentar ideias, defender projetos e influenciar decisões estratégicas.

Perguntas frequentes 

Qual é a diferença entre storytelling e visualização de dados?

A visualização de dados representa informações graficamente por meio de recursos como gráficos e mapas. O data utiliza essas representações dentro de uma narrativa contextualizada, relacionando evidências às conclusões e decisões que interessam ao público empresarial.

Quais ferramentas podem ser utilizadas nessa estratégia?

Ferramentas como Power BI, Tableau e Excel ajudam a analisar indicadores e criar visualizações. Entretanto, a qualidade depende também da interpretação dos dados, da organização dos argumentos e da capacidade de comunicar conclusões relevantes aos interlocutores.

Como medir os resultados de uma apresentação?

Os resultados podem ser avaliados pela compreensão da mensagem, pela qualidade das perguntas recebidas e pelo encaminhamento das decisões propostas. Também vale acompanhar aprovações de projetos, alinhamento entre equipes e utilização dos indicadores nas discussões posteriores.

O data storytelling é importante para executivos que trabalham internacionalmente?

Sim. Executivos internacionais precisam apresentar resultados e defender propostas para interlocutores com diferentes referências culturais e linguísticas. Esse método, associado à comunicação intercultural, ajuda a contextualizar evidências, sustentar argumentos e transmitir recomendações em reuniões e negociações empresariais.

Foto de Trend School

Trend School

Boutique de desenvolvimento executivo e comunicação internacional, referência em programas para líderes de empresas como Bradesco, Suzano e Natura.

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